Arruda, Paulo Octávio, Wilson Lima… E depois?
Paulo Octávio resistiu, mas não conseguiu se manter no cargo de governador interino. Se um dos motivos pelos quais se esforçou para se conservar no poder foi a preservação do novo PDOT, ele não deve se preocupar, porque Wilson Lima, o atual governador interino, sempre se mostrou solícito em relação aos promotores da especulação imobiliária no DF:
… No primeiro mandato [como deputado distrital], foi o que mais apresentou projetos mudando a destinação de áreas. E o Ministério Público, na época, denunciou que empresários e políticos se beneficiavam dessas mudanças com a supervalorização de terrenos. Wilson Lima também foi relator do Plano Diretor do Gama, em 2006. O parlamentar manteve a mesma postura mudando destinação de áreas para postos de gasolina.
Eu me perguntava por que Joaquim Roriz permanecia em um silêncio sepulcral desde o início da crise política, no final do ano passado. Na terça-feira, ele se ergueu da tumba. Hoje, mantive a televisão ligada durante o Jornal Nacional, somente para ver os filmes do Partido Social Cristão, estrelados por Roriz. A hipocrisia e o impudor de parcela dos políticos brasileiros efetivamente não possui limites. Nos filmes, Roriz comenta os atuais acontecimentos como se não tivesse nenhuma relação com nada do que está acontecendo: como se José Roberto Arruda não fosse uma criação sua; como se Paulo Octávio não tivesse sido seu aliado; como se todos os deputados distritais envolvidos no esquema de corrupção não o tivessem apoiado durante seus mandatos como governador; como se os colaboradores de Arruda que atualmente se encontram detidos na Penitenciária da Papuda não tivessem sido também seus colaboradores.
E agora? Roriz lidera as pesquisas de intenções de votos. Parece surreal, mas é a realidade. O eleitorado de Roriz, ou melhor, o eleitorado de todo político paternalista, pode ser classificado em quatro grupos. O primeiro grupo é composto por eleitores que votam em Roriz por ingenuidade, porque acreditam em suas boas intenções. São os eleitores que o consideram um pai. O segundo grupo é constituído pelos eleitores que votam em Roriz na expectativa de obter uma recompensa. Para esses eleitores, o voto é uma dádiva que concedem ao político para obrigá-lo a lhes ofertar, caso seja eleito, uma contraprestação. O terceiro grupo é formado por eleitores que votam em Roriz porque jamais votariam em um candidato de esquerda. O quarto grupo é integrado pelos eleitores que, embora convencidos de que Roriz seja corrupto, votam nele por reputá-lo um bom administrador.
Quando as suspeitas contra Arruda vieram a público, eu temi que o resultado das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público pudessem não conduzir necessariamente a um resultado favorável à sociedade do DF, porque a saída de cena de Arruda poderia conduzir à entrada triunfante de Roriz no espetáculo. Ontem, ele retornou à cena, decidido a ser de novo o protagonista. Minha esperança é que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público não demorem a enfocar os acontecimentos dos dois governos anteriores, ambos de Joaquim Roriz, a tempo de que a máscara do ex-governador, que renunciou ao cargo de senador para não ser cassado, rache antes do início das eleições.
PS: Dois colaboradores de Roriz, Benjamim Roriz, Secretário de Governo, e Bauer Ferreira Barbosa, Subsecretário de Apoio Operacional, foram condenados por improbidade administrativa, em decisão unânime dos membros da 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Eles devem restituir ao erário cerca de R$ 7 milhões.
